Ser Professor do 1.º Ciclo

sábado, setembro 02, 2006

Fim...

Esta na hora de colocar um ponto final neste blog. Aliás, do ponto de vista da sua função ele já terminou por meados do mês de Julho. Contudo, deixei-o de portas entreabertas… Mas, como fomos de férias, ninguém veio espreitar, ninguém teve curiosidade… pelo menos não foi tão forte ao ponto de “matar o gato”…

Agora que estamos em Setembro, quero definitivamente virar de esquina, ainda sem saber muito bem que caminhos percorrer para chegar onde desejo chegar... Ainda assim tive um desejo súbito de dizer qualquer coisa, mas que fosse eloquente, que marcasse esta viragem…

Como não me sinto particularmente inspirado nem me considero propriamente um dotado nestas coisas da escrita, virei-me para os meus livros. Tive a sensação de uma vã esperança de um salvamento condenado ao fracasso pela penalização da passagem de responsabilidades, misturada com o cliché de quem se pendura nas palavras dos outros para dizer o que não sabe, e se não sabe não lhe vai na alma.

São poucos os livros, uns míseros exemplares de alguns que li na minha juventude e que me foram, ora clareando, ora formatando a minha existência. Li mais alguns, precisamente naquela fase em que queria mas não podia comprá-los.

Enfim, consumando a acto, fui pegando alguns livros até deter-me num em particular: “Nome de Guerra”, de Almada Negreiros. Marcou-me profundamente nos meus tempos de juventude avançada (19, 20 anos, para melhor precisar). Cheguei até a escrever um texto sob esse pseudónimo, num concurso de cartas de S. João promovido então pelo CEFOPE. Acharam-lhe graça, à carta, e ganhei. Soube que a concorrência também não lhe dava grande mérito, mas assim fiquei com essa fama, efémera, como quase todas…

Voltei a ler o livro no Verão do ano passado… Tinha‑o visto numa estante de uma livraria e quis ter aquele objecto. Que diferenças lhe notei? Ficam para mim… até porque não sei se tenho isso resolvido… mas mesmo que o tivesse.

Há outro livro que gostei imenso na minha adolescência: “Vinte mil léguas submarinas”, de Júlio Verne… Presumo que era por causa da atmosfera criada à volta do Nautilus e do Capitão Nemo… Recordo que, enquanto lia, ouvia uma música ambiente de Cocteau Twins (um grupo da chamada música alternativa da época), que me transportava às profundezas do mar…

Voltando ao “Nome de Guerra” e à tentação da citação, não sem antes dizer que uma coisa é desejar possuir um objecto que me fez recordar o passado, outra coisa é recuperar esse passado…, aqui ficam, então, duas frases com que terminam os dois últimos capítulos (e são estas porque são as últimas do livro…).

“A ciência, que não tem outro conhecimento que o das suas experiências, necessita de um espaço de tempo de que cada um de nós não dispõe. Se sujeitássemos a nossa vida ao conhecimento da ciência, acontecer-nos-ia o que às lâmpadas eléctricas que tiveram o mesmo processo perfeito de fabricação: nem todas acendem. E as que não acendem deitam-se fora. Não há tempo a perder com mistérios em ciência”.

“A condição para saber ver ao longe é estarmos dentro de nós se se trata do próprio, ou de ter renunciado a si mesmo se se trata dos outros”.

1.ª imagem - Auto-retrato de Almada Negreiros.
2.ª imagem - Desenho de Fernando Pessoa por Almada Negreiros.

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