Ser Professor do 1.º Ciclo

quarta-feira, maio 10, 2006

(In)certezas da indução profissional

Sugestões de temáticas/problemáticas relativas aos desafios da indução profissional no 1CEB, como contributos para o âmbito da intervenção da Professora Doutora Maria do Céu Roldão, nas Jornadas da Prática Pedagógica do Ensino Básico, a realizar no IEC-UM, no dia 8 de Junho, entre as 17 e as 18.00 horas.

Olá a todos!

Acabei no dia 2 de Maio a última entrevista (projecto profissional e pessoal) programada para este projecto de investigação sobre a construção do conhecimento profissional no 1CEB. Já fiz um post sobre a mesma; continuo à espera da vossa participação. Mas, agora o assunto é outro.

O subtítulo deste post é já de si elucidativo. Gostava de vos lançar um desafio, na sequência de algo que já fui adiantando durante o decorrer da terceira e última entrevista. Como tem sido habitual de há uns anos para cá, no final do ano lectivo, e no âmbito da Coordenação da Prática Pedagógica do Ensino Básico, vão-se realizar, mais uma vez, em Junho, as Jornadas da Prática Pedagógica do Ensino Básico.

Num primeiro esboço do programa deste evento está agendada uma sessão dedicada ao período de indução profissional e ao conteúdo deste projecto de investigação, pelo que estão previstas intervenções dos participantes do mesmo (minha e vossa, em moldes que teremos de pormenorizar – vejam o post a seguir), da Dra. Altina Ramos e Dra. Isabel Candeias (para falar da moderação/animação e do conteúdo do Blog), e ainda da Professora Doutora Maria do Céu Roldão.

Ora, é precisamente aqui que queria pedir a vossa colaboração, pois a intervenção da Professora Maria do Céu Roldão está ainda em aberto e é sensível às vossas sugestões de temáticas/problemáticas a serem tratadas relativas aos desafios que a indução profissional suscita aos professores neófitos, na medida daquilo que for considerado pertinente e exequível, bem como, é claro, na medida da vossa disponibilidade para colaborarem nesta postagem. Assim, solicito-vos que correspondam a este desafio o mais rapidamente possível, no sentido de fazermos chegar esta informação em tempo útil à Professora Doutora Maria do Céu Roldão.

Lembrem-se das vossas preocupações e anseios que foram tratados, sobretudo, na 2.ª entrevista, quando falamos do período de indução; lembrem-se de assuntos tratados com os vossos colegas de profissão que estão na mesma situação; lembrem-se das situações que mais vos marcaram (e continuam a marcar!) ao longo desse vosso início de carreira profissional. Questionem os vossos colegas e façam eco das palavras deles neste espaço.

Fico a aguardar com expectativa as vossas ideias/sugestões.

Carlos Silva

6 Comments:

  • Olá!

    Penso que sugestões/ideias para temáticas e problemáticas não irão faltar. Afinal são tantas as interrogações que surgem no quotidiano profisional!
    Fazendo uma breve selecção, gostaria de sugerir uma que me tocou especialmente este ano: a gestão da diferença dentro da sala de aula. Quais as capacidades que um professor deverá ter para ser capaz de desempenhar um trabalho de qualidade numa sala onde existe a diferença? Quando refiro diferença remeto-me a cultura, reigião, ritmos de trabalho, desenvolvimento intelectual, ritmos de vida, situações familiares, etc.

    Fica a ideia...

    By Blogger Luciana Ferreira, at 5/11/2006 10:01 da tarde  

  • Olá!
    De facto concordo com a Luciana pois existem imensos temas e dilemas que poderão ser trabalhados...
    No meu caso em particular, um dos maiores problemas diz respeito, na minha opinião, à (ainda) existência de muitos problemas sociais e familiares, nomeadamente o alcoolismo, a falta de formação dos pais... No entanto, penso que este é um assunto que não é fácil e em prol do qual não há muito a fazer, a não ser dar aos alunos na escola momentos de distracção, e de alegria!
    Uma outra questão sobre a qual gostaria de ouvir é a seguinte: será que, sendo nós entregues solitariamente à nossa profissão depois do término da nossa formação inicial, conseguimos abandonar todos os ideiais, modelos e perspectivas que temos enquanto alunos durante cerca de 16 anos? Ou ainda, qual será a verdadeira influência que a nossa formação inicial tem no início da nossa carreira? Será que no período de indução é mais fácil pôr em prática aquilo que apreendemos na nossa formação inicial ou reproduzir aquilo que vivemos durante cerca de 16 anos?

    Aqui vai a sugestão...

    By Blogger Ana Beatriz Costa, at 5/13/2006 10:32 da tarde  

  • Olá,

    Aqui ficam algumas sugestões:

    - Qual o papel do período de indução na socialização profissional?
    - Quais os tipos de problemas enfrentados pelos professores neófitos? Quais os dilemas e paradoxos que enfrentam?
    - Que medidas deveriam ser tomadas?
    - Qual o tipo de formação mais adequado para dar resposta aos desafios colocados aos professores neófitos?
    - Qual o papel que as instituições de formação deveriam ter no período de indução profissional?
    - Como poderão ser postos em prática programas de indução? Será que eles são pertinentes? (dar exemplos de experiências noutros países, por exemplo)

    By Blogger Eva Santos, at 5/14/2006 4:03 da tarde  

  • Já agora, também uma contribuição/reflexão para a discussão (a ver se dou o exemplo!).
    Começo por algo que pode não estar directamente relacionado com o período de indução, não sei… mas pode implicar profundamente os novos professores que saem para o mercado de trabalho. Refiro-me ao problema genérico das habilitações profissionais para a docência, ou seja, o modelo de acesso à profissão de Educador de Infância e de Professor dos Ensinos Básico e Secundário.
    Parece haver uma discussão recente sobre a separação entre a formação que habilita profissionalmente (da responsabilidade do Ensino Superior) e a certificação, que pode passar a ser da responsabilidade do Ministério da Educação.
    A habilitação profissional é obtida pelo grau de licenciatura na qual os candidatos obtêm um determinado número de créditos ECTS nas unidades curriculares referentes às áreas disciplinares, relacionadas com a intenção futura de vir a desempenhar a profissão de professor. A essa habilitação acrescenta-se um curso de formação profissional para o ensino, estruturado segundo critérios a definir pelo Ministério da Educação.
    A certificação profissional consiste num exame, numa prova de avaliação de conhecimentos e competências, à partida da responsabilidade do Ministério da Educação.
    Genericamente, parecem estar em causa as condições de acesso à profissão. Outras razões podem existir, mas não tão explícitas. Contudo, esta questão leva-me para uma outra que está a montante e podia ter efeitos benéficos, no sentido de precaver situações de menor identificação com a profissão docente. Refiro-me às condições de acesso à formação inicial nos cursos de ensino.
    Depois, para terminar, porque já vai longo este texto, parece-me que a certificação não resolveria grande coisa… Logo à partida, a questão da avaliação de conhecimentos e competências no ensino parece merecer cuidados que não sei se são exequíveis com exames ou meros exercícios na esfera da conjectura. Mas o que está por resolver ao nível da actividade profissional no ensino (e agora está congelado) é a avaliação do desempenho. Na indução profissional também se passa ao lado do desempenho profissional, até porque o vínculo contratual é precário e não há programas específicos neste âmbito.
    De facto, como uma catarse, termos como “exame de estado”, “período provatório”, “avaliação do desempenho”, “indução profissional” vêm-me à memória, e gostava que, em tempo ido ou de agora, significassem processos de construção de conhecimento profissional para lá da formação inicial, mas não sei se assim é… Deste modo, o que fazer nestes tempos actuais de exigências neoliberalistas também para os professores e, sobretudo, para os novos professores acabados de formar?

    By Blogger Carlos Silva, at 5/15/2006 2:04 da manhã  

  • No meu comentário anterior, onde se lê "Na indução profissional também se passa ao lado do desempenho profissional, ..." (7.º §), deve-se ler "Na indução profissional também se passa ao lado da avaliação do desempenho profissional, ...".

    By Blogger Carlos Silva, at 5/15/2006 10:54 da tarde  

  • Olá a todos!
    São muitas as questões sobre as quais gostaria de obter mais informações. Porém, apens me debruçarei numa que me inquieta...
    Tal como a Luciana, a gestão diferenciada é um aspecto que me preocupa muito. Todos nós sabemos que as crianças são diferentes: têm os seus interesses, gostos, necessidades, dificuldades e o professor deve atender a todos estes aspectos, de forma a cativar o aluno e conseguir que ele esteja envolvido no processo de ensino-aprendizagem.
    No entanto...
    tenho um aluno que, devido à separação dos pais, está a ser acompanhado por uma psicóloga. É uma criança triste e sem vontade nenhuma de aprender. Para o tentar cativar, apesar de ele pouco trabalhar e de se comportar mal, procuro arranjar formas de o reforçar pelas pequenas conquistas que vai alcançando. Por várias vezes ouvi os colegas a dizer: "professora, o N. comporta-se mal e pode na mesma ir para o computador?!".
    A questão que coloco é: "Será que isto é justo para os colegas?"
    Sei que o ideal seria que os colegas soubessem e percebessem/aceitassem o porquê de ele ser recompensado pelas pequenas conquistas mas, tratando-se de cianças de 6 e 7 anos de idade, tal poderia originar "rótulos" dentro da sala de aula.

    Até que ponto é que o facto de gerir todas estas dinâmicas de uma forma diferenciada não contribui para as restantes crianças ficarem confusas, ou até mesmo desmotivadas. Não lhes podendo contar o que se passa,pelos motivos anteriormente referidos, entendo que algumas crianças podem não perceber os critérios e sentir a falta de coerência na atribuição do reforço.
    Nas Jornadas, gostava de ouvir conteúdos relacionados com a diferenciação pedagógica que me ajudasse a solucionar este dilema.

    By Blogger Paula Ribeiro, at 5/20/2006 10:26 da tarde  

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