Ser Professor do 1.º Ciclo

domingo, abril 23, 2006

Somos (finalmente) professores do 1CEB!
E agora?

10 Comments:

  • E agora...vamos por esse mundo fora!

    By Blogger Luciana Ferreira, at 4/23/2006 11:50 da manhã  

  • E agora...abdicamos de muito tempo para estar com a família, para fazer ou conservar amigos, damos parte de nós e do que temos porque um sorriso ou um simples "ah! já sei!" vale, por vezes, mais do que tudo isso. Mas... até quando podemos aguentar uma profissão tão exigente, desgastante e tão pouco reconhecida? Terá de ser sempre assim?

    By Blogger Ana Tavares, at 4/23/2006 9:33 da tarde  

  • Tens razão, como de costume.

    Às vezes, só me pergunto porque estou ali numa sala de aula com uma turma! Ser professor do 1ºCiclo é tão exigente e só quem é sabe o quanto, muitas vezes, abdica pelos seus alunos. Em certos momentos, é uma profissão altruísta e o tempo não chega para tudo: familia, amigos, nós, etc.

    O pior é quando dizem que somos "básicos" e coisas afins. Só quem sabe é que dá valor!

    Nunca vos aconteceu ter que defender a nossa opção perante amigos com formações diferentes (engenharias, direito, medicina, etc.)? Este pouco reconhecimento da nossa profissão é algo que me entristece! E, a propósito do dia de hoje, Dia da Liberdade, não deveria existir este quase "descrédito social" relativamente ao professor do 1º Ciclo. Todos temos liberdade para escolher a profissão e se nós que aqui estamos escolhemos ser professores do 1º ciclo deveriamos ser mais respeitados.

    Não resisti a este discurso interventivo! O dia 25 de Abril permite estas coisas.

    By Blogger Luciana Ferreira, at 4/25/2006 4:34 da tarde  

  • Olá Ana!
    E agora... e agora temos de "arregaçar as mangas" e trabalhar. Temos de mostrar que não somos "básicos" como muita gente pensa. Temos de dar provas de que a nossa profissão é complexa, exigente e de grande valor.
    É verdade que, muitas vezes, canalizamos tempo de mais para a escola e remetemos para segundo plano os amigos e a família, mas o importante é fazermos o que sentimos que deve ser feito.

    É verdade que muitas vezes as pessoas pensam que a nossa profissão é "fácil", mas isso só demonstra que não sabem do que estão a falar. O papel do professor do 1.º ciclo é extremamente importante e complexo,o qual exige de nós um conjunto de capacidades que passam despercebidas a muitas pessoas.

    By Blogger Paula Ribeiro, at 4/27/2006 10:51 da tarde  

  • Gostava de perceber o que vai em muitas cabeças do nosso país...
    Ainda ontem ouvi uma afirmação que me deixou sem palavras. Uma pessoa extremamente informada disse-me simplesmente "Eu não acredito na escola!".
    Mas...se nós não acreditarmos na escola poderemos acreditar no futuro, na mudança, num país melhor?? Mas afinal o que andamos aqui a fazer??

    Será que as pessoas que pensam assim é que estão certas? Uma coisa é certa! Se as mudanças levam gerações até se concretizarem alguém me pode explicar porque é que andamos a abdicar da nossa vida, da nossa saúde e, às vezes, da nossa sanidade mental???

    Se tudo está contra nós porque é que continuamos a remar sozinhos contra a maré??

    (Isto é claramente uma provocação mas que se calhar, passa pela nossa cabeça em momentos menos bons...)

    By Blogger Ana Tavares, at 4/28/2006 8:01 da manhã  

  • Já agora Luci... Nos poucos momentos que tenho para me sentar, na sala de aula, costumo olhar para a sala e para os alunos e tentar perceber o que ando a fazer...
    Até penso, isto não pode continuar, tenho que arranjar tempo para mim e especialmente para a minha família. Mas tudo é interrompido e esquecido quando alguém diz, na sua inocência "Já terminei. O que é que faço agora?"
    Aí esqueço que sou apenas um ser humano e volto a vestir a pele de professor que, induvitavelmente, é um super-herói pois coloca sempre os interesses dos outros em primeiro lugar, esquecendo as suas próprias necessidades. Senão vejamos: Já alguém ouviu dizer que um super-herói deixou de atender uma pessoa porque tinha o jantar atrasado, tinha que levar os filhos à escola ou tinha que resolver um problema conjugal? Claro que não! E esses somos nós professores. Para o bem e para o mal!

    By Blogger Ana Tavares, at 4/28/2006 8:14 da manhã  

  • Parece que os discursos estão numa fase em que transparece algum ressentimento precoce com a profissão… É assim tanto como dizem? O investimento que estão a fazer é desproporcional com o reconhecimento social, com as condições que existem na escola?

    Gostava mais que fosse algo deste género… E agora:
    – Participam em projectos de trabalho com outros professores;
    – Partilham saberes e experiências, frustrações e receios;
    – Colaboram com as instituições formadoras, mantendo uma relação de interesse comum que permite e potencializa uma formação ao longa da vida, com repercussões na melhoria dos processos de aprendizagem;
    – Fazem felizes crianças que em muitas circunstâncias encontram-se em risco, criam oportunidades que noutros contextos, por vezes, simplesmente não existem;
    – Na sua dimensão profissional, são professores realizados, em face dos resultados e do reconhecimento social;
    – São também, por isso, professores com índices de satisfação profissional e pessoal e com auto-estima e auto-conceito elevados, repercutindo-se de forma positiva na qualidade de vida e no modo de estar em sociedade e na vida privada.
    – …

    Não será este um quadro pelo qual valha a pena lutar? Não se sentem com força para lá chegar? Ou o professor será um eterno insatisfeito, à procura de uma quimera?

    Será que, ao invés, estamos numa perspectiva utópica em face daquilo que são os indicadores actuais da escola e da sociedade que a criou e a sustenta? Será que a sustenta?

    By Blogger Carlos Silva, at 4/29/2006 2:47 da manhã  

  • Na minha opinião, os portugueses são muito críticos (e nem sempre fazem críticas construtivas...) mas no que respeita a elogios já se torna muito mais difícil...
    Não somos de elogio fácil!

    De facto, o cenário não é assim tão negro... As questões que levantei são meros desabafos de um ou outro dia que corre menos bem...
    Mas, e para que não fique preocupado, posso dizer que sinto (uns dias mais do que outros) que o meu trabalho faz a diferença na comunidade educativa onde me insiro e que me sinto realizada com o meu trabalho. Todos os dias ajudo a aprender e aprendo um pouco, e já por isso vale a pena. Apenas o facto de não ter tempo para mim nem para a minha família me deixa, por vezes, desanimada.

    Por outro lado, e uma vez que tenho um contrato temporário, tenho que me agarrar a pequenas vitórias para poder chegar a casa a sorrir... porque sair a sorrir já o faço!

    By Blogger Ana Tavares, at 4/29/2006 5:38 da tarde  

  • Caros colegas:

    Venho por este meio informar que esta postagem serve apenas propósitos de devaneio, assim sendo... digam tudo o que vos vai na cabeça e sem pensar muito porque, muitas vezes, esses são os pensamentos mais verdadeiros...

    Força, vamos lá experimentar!

    By Blogger Ana Tavares, at 4/29/2006 6:12 da tarde  

  • Só para corroborar, reforçar as palavras da Ana!
    É sobretudo para isto (comunicar, desabafar, questionar, reivindicar, protestar, soltar os sentimentos, …) que o blog serve, para além de outras coisas ditas ‘teóricas’ ou mais ‘elaboradas’, mas que podem coabitar de forma pacífica.

    Obrigado Ana!

    By Blogger Carlos Silva, at 5/02/2006 11:12 da manhã  

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