Ser Professor do 1.º Ciclo

terça-feira, abril 18, 2006

“Ser Professor do 1.º Ciclo”, o livro.

Ser Professor do 1.º CicloPor esta altura, se tudo correu bem, todos os participantes deste projecto de investigação receberam um livro intitulado “Ser Professor do 1.º Ciclo: Construindo a Profissão”. Nem de propósito; ou mesmo de propósito. Sim, porque tudo tem uma história, uma marca, uma identidade.

Há várias pessoas que receberam este livro porque, com propriedade, contribuíram para o mesmo. Devem saber (o livro explica isso), no final do ano lectivo de 2004 fez-se as Jornadas da Prática Pedagógica do Ensino Básico, um evento que se tornou familiar, desde há uns anos para cá, que tiveram como lema, precisamente, “Ser Professor do 1.º Ciclo”. Como parecia pouco cordial oferecer a umas pessoas e deixar as outras sem o livro, acabei por enviar um exemplar para todos os participantes nesta investigação (espero que a Professora Luisa me perdoe!), não só pela pertinência e sintonia da temática, mas também como uma forma de incentivo e reconhecimento pela vossa colaboração.

O livro, que agora foi editado, resulta do esforço conjunto das pessoas que participaram nessas Jornadas, e que se propuseram, de diferentes perspectivas (formadores, professores cooperantes, alunos em formação, ex-alunos – professores no activo), discutir, reflectir acerca das questões relacionadas com a construção desta profissão: professor do 1.º Ciclo.

Faço também este postagem também porque o processo que temos vindo a desenvolver desde há algum tempo (pelo menos cinco meses!), está a chegar a uma fase conclusiva, com o aproximar da terceira e última entrevista. Temos, de diferentes formas, questionado e reflectido acerca da construção do conhecimento profissional e da condição do “professor do 1.º ciclo”. Para culminar este processo, pretendo questionar-vos acerca das vossas motivações, dos vossos projectos profissionais e pessoais, agora que estão no campo da acção e intervenção educativa.

Podia fazer uso doutras palavras, mas gosto particularmente daquelas que a Joana utilizou para descrever a transição entre um período de preparação e o momento da tomada de responsabilidades profissionais. É um momento que pressupõe um passado e a construção de um futuro, em constante interacção e evolução.

“Entrar no mundo de trabalho é sempre um choque, porque é a nossa vida a desbravar uma nova etapa. É sem dúvida um passo marcante, uma vez que há um desafio e um teste às nossas capacidades, às nossas escolhas, à nossa competência... É como se tivéssemos de prestar contas dos, pelo menos, 16 anos em que andamos a estudar, que andamos em preparação/construção” (pág. 27).

5 Comments:

  • Continuando as palavras da Joana...

    Mas é, sem dúvida, um grande momento de satisfação pessoal e de concretização de um longo processo... de um sonho (Por que não dizê-lo?. Sim, acho que para se ser professor temos que, muitas vezes, agarrarmo-nos a uma visão de um mundo melhor, para o qual estamos dispostos a contribuir, muitas vezes (se não sempre) remando contra a maré.

    Ser professor é ter o poder de fazer magia... É transforma o pouco e o pobre em grandes momentos de tudo e de muito...

    By Blogger Ana Tavares, at 4/23/2006 9:35 da manhã  

  • Pois é, Ana, acredito no que diz e ainda bem que assim pensa, apesar de haver momentos em que se questionam acerca do validade do trabalho que fazem. Acredito também que, hoje em dia, é difícil ser professor, até porque por muito que façam parece haver sempre uma atitude de “desconfiança” e de atribuição culpas à escola e aos professores por todos os males que este mundo enferma, que leva a pensar que para além do esforço de "ser professor" (e não é pouco) ainda é preciso lutar contra essa ‘maré’ que está sempre contra a escola e os professores que nela trabalham...

    Se calhar, ainda que à partida pareça injusto, também é preciso pensar de onde vem esse sentimento; que razões podem assistir a essa argumentação, pois talvez seja preciso esclarecer esse mundo que a escola também está “desconfiada” que não tem assim tantas culpas no cartório. Parece, contudo, haver alguém que queira que assim seja, pois pode deixar umas quantas almas dormirem mais tranquilas…

    By Blogger Carlos Silva, at 4/29/2006 3:55 da manhã  

  • :)

    By Blogger Ana Tavares, at 4/29/2006 5:48 da tarde  

  • Olá a todos!
    Felizmente tive a oportunidade de assistir ao lançamento do livro e de receber um exemplar. Depois de o ter lido, considero que todos os comentários são bastante interessantes e enriquecedores.
    Seguindo um pouco as reflexões que temos vindo a efectuar, corroboro a ideia que a professora Maria do Céu Roldão veicula no livro, quando afirma que o professor é a pessoa capaz de fazer a mediação entre o aluno e o saber; e que outras pessoas, mesmo possuindo conhecimentos conteudinais, não serão capazes de o fazer (Espero não ter deturpado a ideia da professora).
    Uma outra reflexão partilhada no livro é a da importância de se manter, no período de indução, uma relação com a instituição formadora, com o intuito de diluir o "choque com a realidade". Neste sentido, considero que todos nós somos previlegiados porque este espaço de reflexão permite-nos partilhar dúvidas, receios, angústias, experiências, etc...

    ...agora entendo por que é que a minha professora supervisora sugeriu a criação de um núcleo de ex-alunos da universidade...

    By Blogger Paula Ribeiro, at 4/29/2006 11:03 da tarde  

  • Não, Paula, acho que não deturpou as palavras da Professora Maria do Céu Roldão. Aliás, considero esse ‘pormenor’ essencial para a defesa da especificidade e do carácter profissional da actividade docente, acrescido de outros conhecimentos próprios da psicologia do desenvolvimento, da pedagogia e da aprendizagem, do desenvolvimento curricular, etc. Ao fim e ao cabo, muitas das áreas de conhecimento que acabaram por preencher a vossa formação e que se podem agrupar nas Ciências da Educação, Ciências da Especialidade e Prática Pedagógica, o que dá a ideia da complexidade da formação de professores e da exigência do desempenho profissional desta actividade.

    Quanto ao cuidado que se devia ter em relação ao período de indução, no sentido de “diluir o ‘choque com a realidade’”, espero que este projecto de investigação já esteja a fazer alguma diferença e que possa também contribuir, no futuro, para pensar melhor a formação inicial, procurando que as ‘defesas’ dos professores neófitos sejam activadas de forma adequada, e, quem sabe, pensar em formas de intervenção/trabalho nesse período tão importante para a definição de uma profissão, de um projecto profissional e pessoal.
    Assim, e relativamente à ideia do núcleo de ex-alunos do IEC-UM, este grupo de trabalho ou outras pessoas que possam estar interessadas (façam os vossos contactos!) e as próximas jornadas da Prática Pedagógica (Junho de 2006), podem jogar um papel interessante em direcção à concretização dessa intenção… Havemos de continuar a conversar sobre isto!

    By Blogger Carlos Silva, at 5/02/2006 12:00 da tarde  

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