Ser Professor do 1.º Ciclo

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Restrições: como ultrapassá-las?

Ao longo do estágio estamos inseridos em comunidades escolares seleccionadas pela Universidade e são raras as vezes que, para fazer aquela ou esta actividade, olhamos a custos financeiros e humanos. O importante, muitas vezes, é conseguir concretizar algo de divertido, significativo e diferente.

Quando nos deparamos com contextos onde não podemos fazer o mesmo por restrições financeiras, por limitações dos colegas ou por demais factores, tal pode criar em nós um pequeno sentimento de insatisfação que, com o passar do tempo e com o acumular de situações pode alimentar uma frustração que nos corrói.

E tu já experimentaste esta sensação? O que fizeste para a minimizar ou atenuar?


Ana Tavares e Luciana Ferreira

15 Comments:

  • Olá meninas!
    É verdade que as despesas são muitas e que no estágio não olhámos a meios termos, para além das despesas serem pagas por 3 pessoas.
    Tal como a Luciana sabe, no ano passado estive a trabalhar num ATL, desenvolvendo actividades de Ciências e de Matemática e muitas ficavam bastante dispendiosas.
    Este ano, para que as despesas não tenham de ser só suportadas por mim, peço aos alunos que tragam algumas coisas. Dividindo por todos, custa menos.
    Para ser sincera, acho que já devia ter feito isto no ano de estágio...

    By Blogger Paula Ribeiro, at 2/28/2006 6:45 da tarde  

  • Olá Paula!
    Concordo perfeitamente, é uma solução.
    Mas a questão é que na escola onde estou pedimos aos meninos 1 resma de folhas no início do ano e, na minha turma, muitos nem isso trouxeram...

    By Blogger Ana Tavares, at 3/01/2006 9:50 da manhã  

  • É verdade que por vezes por falta de recursos nos vemos impossibilitadas de realizar algumas actividades que gostaríamos e que achamos importantes para os nossos alunos. Trabalho apenas há 3 anos e muitas vezes tive que gastar do meu próprio dinheiro. Este ano eu e a minha colega da escola arranjamos uma solução: com a colaboração dos pais vendemos rifas para sorteio de um cabaz e, em colaboração com uma livraria, fizemos uma Feira do Livro. Com estas actividades angariámos algum dinheiro que nos permite levar a cabo algumas das nossas actividades.
    No entanto, pela minha experiência, às vezes temos alunos para quem o melhor é um sorriso de nossa parte, compreensão e carinho! Isso é bem mais importante e nenhum dinheiro o pode comprar! Basta um recurso: o humano!!!

    By Blogger Ana Beatriz Costa, at 3/04/2006 9:27 da tarde  

  • Penso que tens razão!

    Com a turma com a qual estou a trabalhar actualmente já aconteceu algo que acaba por corroborar aquilo que dizes...

    Realmente, já organizei actividades bastante elaboradas mas acho que nenhuma teve tanto impacto junto a um aluno, com bastantes dificuldades e uma personalidade forte, como um beijinho que lhe roubei e um simples comentário "Eu sei que consegues, força!"
    A partir desse dia passei a notar diferenças na atitude deste aluno.

    Obrigada pelo teu comentário!
    Fez-me analisar este aspecto sob uma nova perspectiva.

    By Blogger Ana Tavares, at 3/06/2006 9:19 da tarde  

  • Olá Beatriz!

    Já diz o ditado:"o coração tem razões que a própria razão desconhece."
    Se coração guia as nossas vidas, as nossas atitudes e acções, guia também a nossa profissão, não é?

    By Blogger Luciana Ferreira, at 3/06/2006 9:29 da tarde  

  • Já há algum tempo que tinha reparado nesta postagem e pensado na sua importância. Esperei para ver os comentários. Apesar da intenção da Ana e da Luciana de provocar uma discussão sobre este tema (os recursos materiais), e das intervenções meritórias da Paula e da Beatriz, parece-me que não se foi muito longe nesta temática tão decisiva para escola básica.
    Aliás adivinho aqui também, da parte da Ana e da Luciana, uma estratégia de intervenção que se insere naquilo que conversámos na entrevista, no sentido de fazer do blog algo mais participado e relacionado com as vossas preocupações. Por essa intenção deixo aqui o meu reconhecido agradecimento.

    O problema dos materiais de suporte às actividades curriculares na escola do 1CEB é recorrente e mal resolvido. Algumas ideias que tenho vindo a ponderar, sem pretender ser exaustivo:
    – O princípio básico seria, se a educação é, pela nossa Constituição, gratuita, então, também os materiais, os meios para promover esse desígnio o deveriam ser.
    – O princípio da autonomia da gestão e organização dos Agrupamentos devia passar também por uma efectiva e substantiva responsabilidade financeira que devia contemplar, sobretudo, porque é para isso que as escolas servem, a gestão do desenvolvimento curricular e de todos os seus materiais de apoio. Sem este princípio não temos escola básica gratuita, nem a garantia da construção de ambientes de aprendizagem de qualidade.
    – Como sabemos que os dois primeiros itens, neste país, são utopias, temos que transformá-los no princípio do utilizador-pagador, com os riscos evidentes que isso pode trazer na descriminação/diferenciação dos contextos e no desinvestimento das propostas curriculares.
    – Pode, depois, haver o meio-termo, onde existe algum esforço e criatividade para compensar este défice de suporte escolar, que reduz a prática pedagógica à ideia parca do papel e lápis. Mas aqui também é preciso cuidado, pois já não há mais espaço para caixas escolares (proibidas) e para contribuições dos pais (ilegais).
    – Não aceito, e tenho discutido com a minha mulher (que é também professora do 1CEB) pela evidência que o professor do 1CEB não pode pagar do seu bolso para poder trabalhar como entende que deve ser o seu dever/trabalho. Isto é, de facto, uma perversidade, porque se pretende fazer o que quer tem de pagar, caso contrário compromete o seu desempenho porque não tem as condições que deseja.
    – Vejam, por exemplo se um médico paga a parafernália de apetrechos que existem num hospital; já viram um bancário levar o seu computador para ligar à base de dados do banco, ou a levar uma simples caneta e papel para fazer as contas dos seus clientes?

    Nota: Como estamos longe do essencial nas escolas. Recordo uma conversa com uma aluna ERASMUS holandesa (presumo que a Ana também estava presente) sobre as condições materiais das escolas. Dizia-me que tinham os armários cheios de materiais que utilizavam na sala de aula e se, em função da planificação, precisassem de outros materiais, faziam uma requisição.

    By Blogger Carlos Silva, at 3/11/2006 3:18 da manhã  

  • Concordo com o que diz. De facto, não devemos nem podemos pagar para trabalhar em melhores condições. Mas então o que devemos fazer? Se não colocarmos dinheiro nosso os prejudicados são os alunos! É de facto complicado!

    By Blogger Ana Tavares, at 3/11/2006 11:55 da manhã  

  • Olá a todos!
    Também não concordo que tenhamos de pagar os materiais que precisamos para as aulas... no agrupamento em que estou a trabalhar, todo o material que necessito, até à data, tem sido comprado. A verdade é que também peço muitas coisas aos alunos (latas, balões, garrafas de água...)
    Tenho uma amiga minha que esteve a trabalhar, até Fevereiro, em Londres e lá é mesmo ensino gratuito...
    Como Portugal está a "copiar" tudo o que se faz lá fora, pode ser que também copiem este aspecto. Vamos esperar..

    By Blogger Paula Ribeiro, at 3/11/2006 7:58 da tarde  

  • Ana, tenho muita pena dos meninos, mas aquilo que é fruto do seu esforço, presumo que não é para ser distribuído pelos alunos da escola, ainda que deles goste muito, e acredito que sim.
    Não vejo um Banco a distribuir lucros pelos seus clientes (a não ser que jogue na bolsa).
    Ora aqui aplica-se, então, melhor a descrição da Paula: deve haver um fundo seguro (Agrupamento), sem que isso menospreze ou coarcte outras hipóteses de financiamento, mas nunca do bolso do professor.
    Em última instância, vou ‘fechando os olhos’ aos adiantamentos (por causa da urgência, da burocracia), mas nem isso me agrada (discordo, até).
    Voltando às conversas com a minha mulher, costumo dizer-lhe que não tenho cara de ‘Caixa de Previdência’ ou de ‘Caixa Geral de Depósitos’, para estar a adiantar e a emprestar dinheiro a pessoas que eu não conheço e que não são das minhas relações. E reparem, não se cobra juros e ainda há capital que é de risco, pois é difícil reavê-lo.
    Quanto ao facto de isso implicar as crianças, de prejudicá-las, parece-me que não há nada melhor do que ser sincero com os pais. Se estes forem sensíveis aos argumentos dos professores, talvez aí se possam colocar algumas 'soluções criativas' e os recursos vão aparecendo…
    Mas não é solução; são arranjos à boa moda portuguesa. Se calhar, é por isso que, neste como noutros assuntos, continuamos eternamente nos ‘arranjos’, no ‘provisório’, no ‘desenrasque’... e vamos aceitando, tolerando coisas que não parecem justificáveis num mundo dito justo, fraterno, solidário.
    Ainda assim, mudando um pouco a agulha da discussão, gostava de saber a opinião de quem está ou esteve no ensino privado. Como se colocam estas questões dos materiais escolares na iniciativa privada? Talvez o ensino público pudesse aprender alguma coisa com essa experiência?

    By Blogger Carlos Silva, at 3/12/2006 2:11 da manhã  

  • Olá a todos,
    Eu estive no ensino privado mas, ao contrário do que se diz, lá as restrições também são muitas! Aliás, no meu caso, penso que ainda foram maiores do que no ensino público.
    Na minha opinião, as restrições a nível de materiais desmotivam muito os professores! Tudo bem que, quando há vontade, podemos reaproveitar e reutilizar mas às vezes o tempo é tão pouco, que o facto de não dispormos dos meios necessários para executarmos determinadas actividades, pode conduzir a que elas não sejam realizadas, para prejuízo dos nossos alunos...

    By Blogger Eva Santos, at 3/12/2006 4:18 da tarde  

  • Olá.
    Eu tenho 2 anos de experiência de ensino privado e 2 anos de experiência de ensino oficial.
    Este ano, que estou no oficial, sinto muito a diferença...
    No colégio onde estava não nos faltavam os meios para trabalhar. Claro que, e porque no fundo tratava-se da gestão de uma empresa, tinha de justificar os materiais que pedia, e sempre com uma visão algo economicista, mas nunca me foi recusado qualquer material que pedi. Convém também dizer que no ensino particular, todos os meses na factura vai lá discriminado o valor pago pelos pais exclusivamente destinado a material de desgaste e nós, professores, sabemos quanto é e o que podemos pedir. Também não quero com isto dizer que no ensino particular podemos gastar à vontade por causa dessa mesma razão. Até porque não é por aí que passam as melhores práticas... Mas é, de facto, um outro suporte, uma outra motivação. E quem opta por este tipo de ensino, o particular, nem questiona, percebe o que paga e por que razão paga.

    No ensino oficial, é completamente diferente!
    Não tenho uma máquina fotocopiadora na escola e se preciso de fotocópias, vou no meu carro ao agrupamento deixar a requisição e no dia seguinte vou outra vez no meu carro buscar as cópias (se estiverem prontas). Não há verba para cartolinas ou tintas. Há uma associação de pais, mas como é um meio tão pobre e complicado, os membros não pagam e por isso não nos podem ajudar. O agrupamento responde que também não nos pode ajudar. O material (básico) pedido no inicio do ano aos alunos (cola, papel de lustro...) nem esse chegou todo à escola...

    Eu (professora nova, inexperiente e inconformada) tenho discutido este assunto com as minhas colegas. Que não pode ser, não podemos continuar a pagar para comprar os materiais porque estamos a contribuir para o sistema (ou para a falta dele) mas, sem soluções, lá vamos nós passando (frequentemente) pela papelaria.

    Quando, um dia destes, alguém se revoltar a sério e exigir à Sra Ministra verbas para materiais para as escolas do 1º ciclo, ela vai responder-lhe com naturalidade: "A senhora está maluca. Os seus colegas têm trabalhado assim nos últimos anos... É porque não preciso de enviar MAIS verbas!"

    Mas, pensando bem, nem sei como perco tempo a queixar-me da falta de cartolinas, cola e tintas, quando não temos uma cantina e os alunos almoçam numa espécie de corredor onde entra água quando chove... Ah, e que funciona também como espaço polivalente nos dias de chuva porque não temos recreio coberto... Bem, sempre chove menos do que cá fora...

    Mas não desanimem! Se calhar, eu é que tive azar...
    :)

    Bom trabalho para todos.

    By Blogger Elisabete Rodrigues, at 3/12/2006 11:03 da tarde  

  • Estou no Ensino Privado, onde há a preocupação de que nada falte às crianças.
    Mas nós (professores com formação no IEC) precisamos sempre de mais, queremos qualidade, diversidade e atracção nas actividades! Portanto, por vezes, ficamos sem saber se estamos a passar dos limites quanto aos materiais que pensamos ser importantes. Existe até algum receio do que os outros vão pensar. Ao pedir mais cópias, mais materiais, será que vão pensar que não temos consciência dos trabalhos a desenvolver? Será que pensam que queremos "empanturrar" as crianças com fichas?
    Então, para não termos que deixar de fazer as actividades que queremos ou não ter que estar constantemente a pedir mais e mais materiais, optamos muitas vezes por gastar do nosso "bolso", o que não é justo!
    Mas também é verdade que vamos aprendendo a utilizar melhor os resursos que temos, aproveitando-os.
    Devo dizer, porém, que com esta conversa toda não me estou a queixar!
    Até porque sempre que são pedidos materias aos pais, por exemplo, eles trazem logo imensos materiais! Estou num contexto priveligiado a esse nível!
    Beijinho a todos!

    By Blogger Mónica Silva, at 3/13/2006 7:48 da tarde  

  • Olá colegas!!!

    Tive também oportunidade de trabalhar num colégio particular onde, tal como referiu a Elisabete, não existiam, à partida, restrições em termos de materiais e da sua requisição.
    No entanto, com o passar do ano fui-me apercebendo que o colégio já não investia mais em materiais por questões puramente economicistas, ou seja, a grande preocupação passou a ser a rentabilidade/lucros do colégio e não tanto os materiais existentes que favoreceriam o processo de ensino-apredizagem!!!
    A partir deste momento tive tantas ou mais restrições do que no ensino público, uma vez que tinha que decrever pormenorizadamente para que era necessário o material, se não havia outra forma de realizar a actividade...
    Por isso, acho que nos podemos deparar com restrições deste tipo em todo o lado,independentemente de ser um sistema privado ou público...Temos que dar "asas" à imaginação!!!
    Beijinhos!!!

    By Blogger Ana Beatriz Costa, at 3/13/2006 8:34 da tarde  

  • Há mais gente que tem experiência profissional no ensino privado que ainda não se manifestou. Vá lá, o que pensam acerca dos recursos materiais necessários à prática pedagógica; o que diz a vossa experiência?

    By Blogger Carlos Silva, at 3/25/2006 5:41 da tarde  

  • Ola!
    Este é um sentimento que compreendo na perfeição, porém, o facto de estar a trabalhar no sector privado não sinto esse constrangimento. Não que exista abundância, apenas a possibilidade de acesso aos materias sempre que precisamos. As escolas do sector privado conseguem ser melhor gestoras dos seus gastos e, assim, possibilitar um vasto centro de recursos que poderão satisfazer as necessidades dos professores.
    Respostas para estas questões? Não são fáceis de descobrir, no entanto, acredito que as escolas precisam de uma urgente reforma administrativa.

    By Blogger José Pedro Bonjardim, at 3/26/2006 2:35 da tarde  

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