Ser Professor do 1.º Ciclo

sábado, janeiro 21, 2006

Choque... (Educ)ológico...

Boa tarde...

A propósito de formação inicial, hoje, enquanto planificava as minhas actividades semanais, a desenvolver com os alunos, lembrei-me de uma questão que, a meu ver, considero pertinente... Perdoem-me se não for...

Todos nós nos sentimos, de certa forma, pressionados, enquanto andávamos a preparar-nos para sermos professores, com muitos trabalhos de todos os tipos, muitas horas fechados em salas de aula mais ou menos "tradicionais", com calor ou com frio, com mais ou menos nervos. A verdade é que, para além de termos sido mais ou menos assíduos, mais ou menos interessados nas aulas, parece que, afinal, o saldo foi positivo, porque até temos algumas noções metodológicas importantes para a sala de aula.

Também não é menos verdade que os estágios pedagógicos, de uma maneira geral, corriam bem, parecendo que cada grupo de estágio ia conseguindo desenvolver actividades integradoras significativas com os alunos, utilizando para tal, materiais apelativos, recursos diversos, muito trabalho de cooperação entre o grupo e com os diversos orientadores intervenientes...

Todavia, faz sentido questionar.....

Se até conseguimos sair da formação com um certificado, com classificações bastante razoáveis, e até temos noção de que o que aprendemos na formação até resulta e é possível...

Por que razão o trabalho não continua, no terreno, muitas vezes nos mesmos moldes?

Por que nos assolam tantos sentimentos negativos, dilemas, dúvidas, conflitos de perspectivas educativas, nos primeiros anos de trabalho?

Por que razão as colegas mais velhas que já "são professoras" há muito tempo, consideram certas formas de trabalhar com os alunos uma quimera?

Será que tudo isto faz parte do processo de indução profissional? Ou será um "choque educológico", algo natural e necessário para construir um perfil profissional de cariz reflexivo, investigativo, colaborativo?


Será que seria necessário...?

2 Comments:

  • Olá Nuno!
    Considero a tua questão muito pertinente e, muitas vezes, me questionei sobre isso.
    No entanto, agora que estou no terreno vejo que existem muitas coisas que não são postas em prática por diversas razões. Dou-te um exemplo: enquanto estagiei, estava perto do IEC e podia usufruir de todo o tipo de materiais. Mas agora, na escola, tenho poucos recursos à disposição. A maior parte das escolas não dispõe dos recursos que existem no departamento de Ciências Sociais, por exemplo.
    Uma outra razão prende-se com o excesso de materiais que nós, enquanto estagiários, preparavamos. Mas agora, que deixamos de ser três e passamos a ser uma única pessoa, não podemos criar a mesma quantidade de coisas, não achas?
    O que eu estou a fazer é o seguinte. À medida que crio materiais, em vez de os deixar na escola, ficam para mim. Da próxima vez que tiver 1.º ano já tenho algum material e já posso construir mais.
    Não te esqueças que, enquanto estagiário, não tinhas a responsabilidade que hoje tens, perante a turma, daí a insegurança e o medo que sentes/sentímos no início da carreira docente.
    Muitos professores não conhecem outra forma de trabalhar senão a de seguir os manuais de uma ponta à outra e é sempre muito difícil mudar, mesmo sendo para melhor!

    By Blogger Paula Ribeiro, at 1/22/2006 4:11 da tarde  

  • Olá Nuno.

    A sua postagem é muito interessante e suscita-me alguns comentários:
    - Sem questionar o ‘choque tecnológico’, que parece um ‘chavão’, mas pode ter, na sua essência, algo de importante para a melhoria da nossa sociedade, preferia antes, como propõe, um ‘choque educativo’.
    - Diria antes, porque não gosto da palavra ‘choque’, uma ‘integração educativa’, onde, sem excepção, todos os portugueses possam ter as oportunidades que o meio envolvente e próximo nem sempre está apto a favorecer.
    - Depois, pela educação, com uma verdadeira integração de todos nos processos educativos, apostando na diferenciação de percursos, faríamos a verdadeira mudança de paradigma de desenvolvimento da sociedade, apostando também, necessariamente, na mudança tecnológica.
    - Esta mudança, que tem como palco a escola, precisa de ser alimentada. É claro que estamos longe de escolas ricas de materiais, aptas a responder aos desafios da diversidade, da sociedade da informação e do conhecimento. Estamos longe de escolas promotoras da mudança porque também está desprovida de condições (e de estatuto) que a permita posicionar-se como um agente essencial nessa mudança.
    - Também parece que estamos longe de escolas que acolham a todos os alunos na sua diversidade, permitindo um tratamento discriminativo positivo. Quantas vezes a escola acaba por sancionar as diferenças que a sociedade estratifica.
    - Do lado dos professores principiantes acaba por acontecer algo contraditório. Aquele que será o espaço de eleição da sua actividade profissional, muitas vezes é o primeiro entrave para a sua integração e crescimento pessoal e profissional, com evidentes repercussões na qualidade do serviço prestado pela escola.

    Em síntese, a mudança tecnológica é fundamental, mas antes dessa (com essa) há uma outra a fazer-se, a das mentalidades, e essa julgo ainda poder/dever fazer-se pela/com a escola. Penso ser esse um caminho para uma sociedade mais justa e fraterna.

    By Blogger Carlos Silva, at 1/25/2006 12:46 da tarde  

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