Ser Professor do 1.º Ciclo

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Formação inicial...

As questões que levantou são bastante pertinentes.
Na minha opinião, apesar de considerar que houve uma falta de preparação ao nível de certas didácticas, também julgo que nem tudo pode ser abordado e trabalhado na formação inicial.
Por exemplo, a nível da Língua Materna forneceram-nos materiais acerca dos vários métodos de ensino mas, infelizmente, não tivemos a oportunidade de observar e/ou aplicar esses métodos. Por isso é que eu considerei, no meu relatório, que essa disciplina deveria ser anual. Talvez assim tivessemos a oportunidade de o fazer.
Da mesma maneira, houve muitos conteúdos a nível da matemática que não foram abordados, nomeadamente aspectos da geometria...
Um outro aspecto que eu quero ressalvar é o facto de considerar que a Psicologia deveria estar relacionada com todas as didácticas, assim como estas deveriam estar relacionadas com as disciplinas de carácter mais teórico, para que a aprendizagem fosse significativa e funcional. Exemplo desta situação surge, visivelmente, na Didáctica da Leitura e da Escrita. Nesta disciplina, aprendemos os diversos métodos de iniciação à leitura "a seco" e ensinaram-nos o seu funcionamento geral, de uma forma muito superficial. Quando a abordagem aos métodos terminou referiram que a escolha de um método em detrimento de outro deve surgir de acordo com as características das crianças, apontando, somente, vantagens e desvantagens de utilização dos mesmos. Que caracterísiticas são essas?!Na minha opinião, é aqui que a INTEGRAÇÃO da Psicologia com as Didácticas deve surgir, como forma de verificar quais as características do aluno que podem potenciar a utilização de um determinado método.

No entanto, como o IEC nos preparou para sermos professores activos, investigadores e inovadores, essas "pequenas faltas" podem ser suprimidas.
Por outro lado, os materiais, as ideias, a partilha de experiências que foram feitas ao longo do curso, em algumas disciplinas, permitem-nos, perante um problema, saber como actuar para o superar. (Mas podemos sempre regressar ao IEC e tirar as dúvidas junto dos docentes. Este é um aspcto que eu considero muito positivo)

Gostava de dar um exemplo concreto. Na minha turma tenho um aluno marroquino e, pelo que me apercebi, este aluno talvez aprendesse melhor pelo método global, dado que ele não conhece a Língua Portuguesa. No entanto, como é a primeira vez que estou a leccionar e como não conheço muito bem esse método, preferi trabalhar da forma que me sinto mais segura. Talvez quando perceber bem o método o aplique, se considerar mais benéfico.

Em suma, creio que poderia ser mais proveitoso para os fomandos se se apostasse mais no conteúdo das didácticas, isto é, na abordagem dos temas que vamos trabalhar com os alunos.

2 Comments:

  • Olá Paula.
    Parabéns pela postagem; é um texto muito bem estruturado e com uma percepção muito pragmática, objectiva e concreta. Apesar disso, é um texto denso e cheio de ideias para se discutir; por isso, terei de o ler com mais atenção. Deixemos, por agora, os seus colegas reagir. De qualquer forma, prometo que voltarei ao texto e deixarei os meus comentários... Agora já é muito tarde; até amanhã!

    By Blogger Carlos Silva, at 2/03/2006 3:19 da manhã  

  • O prometido é devido!
    Estava à espera que outras pessoas pudessem comentar, para complementar as minhas observações. Aliás esta postagem surge na sequência da anterior que fala sobre as didácticas específicas no 1CEB, pelo que podemos relacioná-la com as reflexões aí retratadas.
    Como estamos em vésperas de lançar uma nova postagem sobre as Práticas Pedagógicas na formação inicial, vou, então, tentar agora analisar/sistematizar algumas ideias que me interessam reter (outras dimensões poderiam ser, igualmente, tidas em conta):

    – Parece haver um consenso generalizado quanto à impossibilidade de se puder trabalhar tudo na formação inicial. Neste sentido, a questão passa a ser outra: o que deve ser trabalhado na formação inicial que se torna estruturante para o perfil profissional do professor do 1CEB?
    – Quanto às didácticas, o trabalho específico nestas áreas, de forma consensual, é visto como estruturante e, como tal, deve ser trabalhado na formação inicial. O problema persiste quando pensamos no que pode assumir o papel de fundamental dentro de cada uma das didácticas para o desempenho profissional?
    – Ainda assim, há um reforço da ideia da necessidade do trabalho nas didácticas (até porque, nalguns casos, pautou-se pela sua ausência), do relacionamento profícuo entre as componentes de índole mais teórica e as didácticas.
    – Ainda ontem assisti a uma conferência no Colóquio sobre Questões Curriculares (onde encontrei a Eva e a Beatriz) relacionada com a Psicologia nos Estudos Curriculares. Uma das questões que a Paula aqui coloca está relacionada com uma necessidade que os estudantes, futuros professores, têm de conhecer com rigor e profundidade o desenvolvimento da criança. Parte-se do pressuposto que esse conhecimento ajuda a informar o trabalho realizado nas áreas das didácticas.
    – O carácter investigativo, reflexivo e colaborativo da formação procura preparar os professores para resolverem questões que a formação não trabalhou com pormenor, através de ferramentas e conhecimentos que possibilitam uma necessária indagação de soluções e alternativas. Ainda assim a permeabilidade de relacionamento entre professores recém formados e instituição formadora é algo que é visto como um sinal muito positivo na procura de uma formação ao longo da vida, tanto em contextos formais como informais.

    By Blogger Carlos Silva, at 2/10/2006 3:31 da manhã  

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