Ser Professor do 1.º Ciclo

sábado, janeiro 07, 2006

Mudanças...

Olá!
Na primeira entrevista que realizámos sobre a nossa formação inicial foi-nos solicitado que apontássemos aspectos positivos e menos positivos sobre a mesma.
Por muitos aspectos que se apontem temos todos que admitir que somos professores do 1.º Ciclo bem formados. Mas o cerne da questão não está aí! Nenhuma formação inicial nos pode formar em todos os aspectos... Somos nós que temos que dar continuidade a essa formação!!!
Acima de tudo, temos que colocar o pessimismo de parte e pensar o quanto somos importantes para os "nossos meninos" e que, se gostamos do que fazemos, precisamos de investir e, por muito que nos custe, aderir às mudanças e tentar adaptar-nos a elas!
Mas o meu principal objectivo desta postagem é realçar um aspecto da formação inicial que eu julgo essencial: o trabalho colaborativo! De facto, esta metodologia de trabalho tão presente na nossa formação inicial faz com que agora nos sintamos predispostos e motivados a trabalhar colaborativamente... Não acham que a colaboração faz muita falta em muitas das escolas por onde passamos???
Não se esqueçam que é fundamental "...fazer da escola um espaço de construção participada o que torna imprescindível que se mude a própria cultura institucional, ou seja, de uma cultura individualista terá de se evoluir para uma cultura colaborativa" (Morgado, 2002).
Não acham que isto foi conseguido na nossa formação inicial? Pelo menos em mim esta cultura foi interiorizada...

9 Comments:

  • Olá Beatriz!
    Não acho que o trabalho colaborativo falte apenas nas escolas. Ligando a TV por altura dos blocos informativos dá-me a sensação que é preciso COLABORAÇÃO em todo o nosso país e por esse mundo fora! Mas, se os profissionais da educação se manifestassem num esforço/trabalho conjunto por todas as escolas já seria uma mais valia para a sociedade. Penso que isto será sempre algo que andará muito próximo da utopia ou do sonho...
    Sem dúvida que as experiências de equipa proporcionadas ao longo da nossa formação inicial foram uma mais valia, contribuindo para esta nossa visão e para a necessidade que sentimos para procurar a partilha!
    Acho que é o aspecto mais positivo de tudo porque não é uma "receita"! É uma forma de estar, uma atitude que nos facilita aprendizagens diárias.

    By Blogger Luciana Ferreira, at 1/08/2006 8:10 da tarde  

  • Olá!
    Tenho plena convicção de que somos professoras bem formadas. A nossa formação inicial, apesar de certos aspectos menos positivos que mencionamos na reunião, deu-nos bastantes ferramentas de trabalho e sobretudo a consciência de que devemos dar sempre o melhor de nós enquanto profissionais para bem dos nossos alunos e do ensino em geral.
    Num mundo em constante evolução e desenvolvimento, um profissional, seja ele qual for, não pode estagnar. É importante continuar a procurar o conhecimento e reflectir sobre as suas práticas.
    Relativamente ao trabalho colaborativo, felizmente não deixei de o fazer desde que comecei a leccionar. Nas escolas onde trabalhei não o fiz devido à resistência por parte de outras colegas que trabalhavam comigo, mas procurei partilhar e desenvolver trabalhos com pessoas que davam aulas noutros estabelecimentos de ensino que sentiram a mesma necessidade comunicação e de enriquecimento.
    Quero acreditar que este é o caminho e que no futuro cada vez mais as pessoas sentirão essa necessidade. Assim espero para bem do ensino!

    By Blogger Susana Costa, at 1/08/2006 10:43 da tarde  

  • Ok, muito bem, Beatriz! Ficou clara a ideia da importância da colaboração para 'Ser Professor', que foi trabalhada na formação inicial. Os comentários seguintes (Luciana e Susana) acrescentaram e reforçaram o significado da 'postura' colaborativa na educação, como traço de identidade que vos une, e que deveria fazer parte da cultura da sociedade, em geral, e da escola, em particular, o que está longe de suceder.
    Pois, então, pergunto: a colaboração resolve tudo? Não há mais nada para além disso? Ou a colaboração pressupõe algo que está dito, mas pode não estar explícito? Sendo assim, o que é isso que falta e que está com a/entre a/para além da colaboração?

    Não se trata de desvendar um puzzle, mas ainda assim apetece-me deixar uma provocação: tudo parece estar relacionado com a ideia de 'coerência'.

    By Blogger Carlos Silva, at 1/10/2006 1:22 da manhã  

  • Olá!
    Não colocando de parte a importância do trabalho colaborativo, julgo que é importante estabelecer, antes de qualquer opinião, o que é para um professor do 1.º ceb, o trabalho colaborativo.
    Para muitos, colaborar é partilhar documentos e material, para outros não passa de uma partilha de opiniões e prespectivas....enfim.
    É amplo o sentido de colaboração no entanto, é importante que ela exista de um modo verdadeiro e não camuflado.
    Quem nunca sentiu, por parte de outros professores um sentimento de relutância em estabelecer um trabalho colaborativo?
    Será que são apenas os professores formados pelo IEC que revelam esta predisposição?
    O que considero pertinente nesta questão é que a classe dos professores não revela em si um espírito de entreajuda, colaboração e de camaradagem. Mas caros colegas, isto não é de agora mas é algo que acompanha desde à muito a classe dos professores. Seremos nós que a vamos conseguir alterar? Bem, por algum lado as mudanças devem começar....

    By Blogger José Pedro Bonjardim, at 1/11/2006 2:21 da tarde  

  • Pois é professor, de facto penso que tem razão...A colaboração, apesar de essencial, não basta!!!
    Sim, acho que falta coerência, e muitas vezes essa falta de coerência reflecte-se nos próprios profissionais de educação.
    Para haver colaboração é necessária uma mudança de mentalidades, é necessário que os professores, assim como a administração central trabalhem com um único objectivo: formar alunos cívicos. Mas para isso ainda há muito caminho a percorrer...O gande problema é que existem profissionais que, por diversas razões, não completam o seu caminho e deixam-se ficar por cansaço, receios, inexperiência, falta de conhecimentos...sei lá!
    Para além disso, é imprescindíval que os próprios professores definam o seu perfil de docentes de forma a terem perfeita consciência do que pretendem e qual o objectivo do seu trabalho!!!

    By Blogger Ana Beatriz Costa, at 1/12/2006 10:19 da tarde  

  • A colaboração é um dos degraus de uma escada que se sobe para alcançar o sucesso. Este está lá em cima, no topo na escada, mas só se atinge com algum esforço e dedicação perante o desafio!

    :)

    By Blogger Luciana Ferreira, at 1/14/2006 7:02 da tarde  

  • Co - laborar

    trabalhar em conjunto?

    aprendizagem cooperativa?

    A aprendizagem ao longo da vida passa, na minha opinião, também por saber colaborar, ou seja trabalhar para um projecto comum....

    Será que também entre uma atitde de colaboração / construção, não é preciso uma disposição e um certo carisma para tal?

    Na formação inicial, será que houve espaço para reforçar a vontade de "ajudar a construir", por exemlplo nos trabalhos de grupo, ou ficava-se apenas por uma luta, impl+icita e discreta, para ver quem tirava melhor classificação?

    Em que medida, o P. C. Integrado de formação pode favorecer este aspecto?

    Que mudanças acham pertinentes?

    Que critérios devem ser utilizados na formação de grupos de trabaho, por exemplo?

    aqui ficam as minhas questões...gostava de ler as vossas opiniões e também de si, professor Carlos....

    Bom trabalho....

    By Blogger Nuno Monteiro, at 1/17/2006 9:21 da tarde  

  • Olá a todos!
    Na nossa formação inicial começámos a definir o nosso perfil profissional. Reflectimos sobre as nossas atitudes e as dos outros. Concluimos que algumas "formas de estar" na nossa profissão podem ajudar-nos a "crescer", tornando-nos mais fortes perante a realidade do ensino que, muitas vezes, ensiste em derrubar os nossos sonhos, a nossa vontade de fazer mais e melhor.
    A colaboração foi uma "aprendizagem" que nos proporcionou bons momentos de trabalho e que agora, no início da nossa carreira, nos abre as portas para nos conseguirmos inserir melhor no grupo dos professores e para um melhor trabalho.
    Quem não precisa de partilhar experiências, de completar e aperfeiçoar as suas ideias?
    A colaboração, para além de enriquecer a formação e relação pessoal, permite uma evolução no resultado dos trabalhos, "várias cabeças pensam mais e melhor do que uma".
    Porém, e já não falando no sentido mais "perverso" que a colaboração pode ter, estou certa de que colaborar não chega!
    Na minha opinião, é necessário dinamismo, iniciativa e vontade de trabalhar! Os professores não podem esperar por uma proposta de colaboração de um colega, da escola ou do agrupamento. É necessário haver iniciativa e dinamismo para que muitas realidades mudem. E depois, é preciso querer trabalhar... porque realmente o tempo lectivo não chega, nem de longe nem de perto, para se conseguir um bom trabalho.
    É verdade que a minha experiência é muito, muito prematura, mas já pude constatar por diversas vezes que o trabalho, o dinamismo e a iniciativa compensam! E todos os benefícios reflectem nas nossas crianças.

    By Blogger Mónica Silva, at 1/17/2006 9:31 da tarde  

  • Olá a todos que têm dado vida a esta postagem que a Beatriz iniciou e que fala de, entre outras coisas, da colaboração.

    Quando falei na coerência, não quis diminuir a importância da colaboração na mudança dos processos educativos. Contudo, sugeri que a colaboração por si só não faria tudo; haveria mais qualquer coisa que em conjunto, e numa perspectiva da construção do perfil profissional de professor, melhor poderia contribuir para essas mudanças. Assim, queria-me referir a outras características fundamentais que ajudam a formar e a dar coerência ao perfil profissional, como por exemplo, entre outras, a investigação e a reflexão.

    Em coerência, quem se diz predisposto a colaborar deve demonstrar uma atitude favorável para que isso aconteça. Fomentar a colaboração e ter atitudes adequadas ao seu desenvolvimento nos contextos escolares pressupõe outras atitudes intrínsecas, como seja um trabalho de reflexão e análise da realidade escolar, como seja a necessidade de investigar e contribuir para a melhoria das aprendizagens das crianças desses contextos.

    Mas a coerência pode ser vista noutras dimensões que não só o perfil profissional do professor. Pensem nas crianças e no currículo escolar...

    By Blogger Carlos Silva, at 1/19/2006 12:11 da manhã  

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