Ser Professor do 1.º Ciclo

segunda-feira, dezembro 19, 2005

(Des)burocratizar: eis a questão?

Cada dia que passa, cada ano que passa, cada projecto que se constrói... e sempre o mesmo sentimento:

A lógica burocrática das escolas continua a exercer uma pressão maior que qualquer tentativa de remar em sentido contrário.

Neste país, a realidade educativa parece ser cada vez mais controversa e até, diria eu, mais perversa. Porquê?

É simples...

Todos sabemos que há documentos orientadores da actividade curricular, lançado pelos sucessivos Ministérios da Educação que temos tido como o das Competências Essenciais.

Contudo, nós antigos formandos aprendemos no IEC a termos um espírito crítico sobre os normativos "macrodesign" e a adequarmos esses normativos aos nossos alunos. Pois é...

O pior é que cada vez mais os professores parecem estar sufocados por uma forma linear de ver a educação, onde o que conta é "chapar" abruptamente os chavões do Ministério que ele insiste em utilizar de uma forma desfuncional, no sentido, em que não contribuem para a efectiva aquisição de competências quer por parte dos profissionais, quer por parte dos alunos.

Senão vejamos:
Para realizar uma visita de estudo com os alunos é preciso preencher papéis, formulários, seguir a legislação,... enfim, tudo menos preparar devidamente a visita de estudo, pois o tempo é escasso...

Para sinalizarmos um aluno com NEE é preciso um ciclo inteiro a fazer relatórios, para depois... os especialistas na matéria, qd se chega aí, dizerem que afinal o aluno não tem nada... pois até nem é deficiente motor ou mental.

Para construirmos um projecto é preciso entregar a tempo, algo que é apenas um esqueleto de projecto, e não um instrumento curricular adequado e flexível.

Enfim... tudo a "pseudo-funcionar" como aliás acontece em tudo neste país...

Serei eu (in)competente?

Será que estarei a ser "revolucionário"?

Talvez... aliás, já era tempo da educação ser revolucionada no bom sentido... e de deixarmos de a basear em papéis...

O que distingue um professor...de um executor de normativos...é mesmo isto: pensar, actuar, planificar, colaborar, investigar..em função dos alunos...e não em função dos "Burocratas"...

4 Comments:

  • Olá Nuno.
    Muito bem; foi o primeiro a tomar a ousadia/coragem de inaugurar as 'postagens' realizadas por professores (ex-alunos).
    Tudo o que diz está muito bem; é a sua leitura como Professor de uma realidade que, presumo, não lhe agrada, pelo que, à sua maneira, tenta dar um contributo para que algo possa mudar, no sentido da melhoria das aprendizagens das crianças.
    De qualquer maneira, lembro-lhe que a primeira entrevista foi sobre a “formação inicial”. Nesse sentido, gostaria também de o ‘ouvir falar’ (ver escrever!) mais direccionado para essa temática (teremos, certamente, tempo de ir ao processo de iniciação profissional).

    Nota: Quanto ao comentário que fez na postagem 'Modelo integrado e flexível de formação de professores', faria mais sentido como uma nova postagem ou como comentário à minha postagem 'Primeira entrevista: Turma 1 (17-12-2005)'. Faz isso? Se precisar de ajuda, diga alguma coisa.

    By Blogger Carlos Silva, at 12/20/2005 1:51 da manhã  

  • Olá!
    É só para manifestar solidariedade contigo. Sinto o mesmo em relação à burocracia, está definitivamente a sufocar-nos e retira-nos não só o tempo, por si já escasso, como também alguma coragem para remar contra a maré no que diz respeito à implementação de práticas inovadoras.
    Até breve!
    Bjinhos

    By Blogger Ana Tavares, at 1/04/2006 5:33 da tarde  

  • Olá Nuno!
    Na minha primeira entrevista, esta visão burocrática do ensino, foi uma das primeiras opiniões que deixei transparecer.
    O papel, os relatórios, os impressos, são elementos que nos acompanham desde o início da nossa formação como professores do 1.º ceb.
    Lembro-me perfeitamente, de dizer em muitas ocasiões, que não é possível avaliar um aluno, neste caso o processo de formação de um futuro professor, tendo por base uma data de papeis e relatórios por nós escritos.
    Já no mundo profissional, esta óptica burocrática continua a existir e a revelar-se como reguladora de todo o processo de ensino.
    Para toda e qualquer actividade, o professor, tal como disseste, necessita de preencher formulários e relatórios para que tudo funcione dentro da "legalidade" que assim é exigida. Será que com isto, a actividade obterá melhores resultados? A aprendizagem será mais significativa? Não creio.
    Quanto à questão dos relatórios das crianças com NEE, considero que , dada a falta de recursos que o professor dispõe, os relatórios acabam por ser um modo de "ilibar" o professor do exito, ou não, que aquela criança deveria atingir.
    De qualquer modo, esta opinião, como qualquer outra, vai valendo o que vale....

    By Blogger José Pedro Bonjardim, at 1/11/2006 2:11 da tarde  

  • Uma questão para todos, mas mais especificamente para o Nuno e o Zé Pedro, porque foram vocês que colocaram a questão da ‘burocracia’ na escola e na própria formação inicial. O Nuno também já falou, noutro local, a propósito da colaboração, num trabalho mais em proveito de uma nota/classificação do que propriamente para o desenvolvimento de competências do perfil profissional do professor, desvirtuando o sentido do processo de formação. Então, como poderia ser avaliado um processo de formação de um futuro professor sem essa ‘burocracia’, sem esses 'papéis' a mais, sem esses subterfúgios que desvirtuam o sentido da formação (do processo) e colocam a ênfase nos resultados finais?

    Como já referi, se quiserem podem também falar da ‘burocracia’ na escola, embora teremos tempo para isso especificamente aquando da próxima entrevista.

    By Blogger Carlos Silva, at 1/19/2006 1:15 da manhã  

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